Precisamos falar de Brumadinho para que não aconteça de novo’, diz presidente do ICLT, que perdeu dois filhos e a nora grávida

O que Aconteceu em Brumadinho?

Na tarde de 25 de janeiro de 2019, um deslizamento de barreira devastador ocorreu na Mina Córrego do Feijão, localizada em Brumadinho, Minas Gerais. Este desastre provocou a liberação de uma onda de lama que afetou extramente a região e levou à morte de 272 pessoas. Entre as vítimas, contava-se uma família inteira: Camila, Luiz, e Fernanda, que estava grávida de cinco meses. O impacto dessa tragédia não se limitou apenas ao luto individual; ela se tornou um símbolo da luta por justiça e responsabilização frente aos erros cometidos na gestão de segurança das barragens de rejeitos.

A Memória das Vítimas

O desastre em Brumadinho causou uma dor imensurável a muitas famílias. Helena Taliberti, presidente do Instituto Camila e Luiz Taliberti (ICLT), é uma das vozes proeminentes que se levantam em memória das vítimas. Helena, que perdeu seus dois filhos e a nora na tragédia, transformou sua dor pessoal em mobilização social para que a lembrança dos que se foram permaneça viva. As iniciativas do ICLT visam não só honrar essas vidas, mas também alertar sobre a fragilidade das estruturas que deveriam assegurar a segurança das comunidades.

A Luta por Justiça

Após o desastre, uma série de investigações e processos judiciais foram iniciados para identificar os responsáveis pelo rompimento da barragem. O clamor por justiça foi amplificado por Helena e outros familiares das vítimas, que exigem transparência e consequências para as empresas envolvidas na tragédia. O reconhecimento das perdas e a busca por responsabilização são passos essenciais para prevenir futuras catástrofes. Helena afirma que muitas das promessas feitas após a tragédia ainda não foram cumpridas, o que gera frustração e desconfiança na sociedade.

Brumadinho

O Papel do ICLT

O Instituto Camila e Luiz Taliberti, fundado por Helena, atua como um fórum de reivindicação por justiça e mudanças nas legislações relacionadas à segurança das barragens. Seu trabalho inclui realizar atos de memória, promover campanhas de conscientização e defender a implementação de medidas mais rígidas no licenciamento ambiental. O objetivo é claro: garantir que os erros do passado não se repitam e que as vítimas não sejam esquecidas.

Os Efeitos na Saúde Mental

A tragédia de Brumadinho trouxe à tona não apenas questões sobre a segurança física das comunidades, mas também os impactos psicológicos que esses eventos catastróficos causam. A saúde mental das pessoas afetadas, incluindo sobreviventes e familiares das vítimas, está em risco. Muitos enfrentam traumas, depressão e ansiedade. O ICLT, com suas ações, também busca levantar a consciência sobre a necessidade de suporte psicológico para esses indivíduos, uma questão que não deve ser negligenciada.



Retrocessos Ambientais

Helena Taliberti critica abertamente as recentes modificações nas leis de licenciamento ambiental, que considera um retrocesso. Após a tragédia, era esperado que o Brasil adotasse medidas mais rigorosas para prevenir desastres semelhantes. No entanto, mudanças nas legislações de 2022 e 2023 enfraqueceram algumas proteções, levando a um aumento do risco para futuras tragédias. A presidente do ICLT enfatiza que é fundamental que a sociedade se mobilize para reverter esse quadro.

A Importância do Licenciamento Ambiental

O licenciamento ambiental é um instrumento crucial para garantir que as operações mineradoras e outras atividades que possam impactar o meio ambiente sejam realizadas de maneira segura e responsável. A falta de um licenciamento adequado pode resultar em desastres, como demonstrado em Brumadinho. Helena sublinha a necessidade de um licenciamento social, que considere não apenas os aspectos econômicos, mas também as opiniões e preocupações das comunidades afetadas.

Comemorações em Memória

O Ato da Memória, promovido pelo ICLT, se torna um momento emblemático para honrar as vítimas de Brumadinho. Este evento é realizado anualmente na Avenida Paulista e reúne pessoas de diversas partes do Brasil com um único propósito: lembrar os que perderam suas vidas e exigir mudanças significativas nas políticas de segurança. O evento inclui discursos, atos simbólicos, e um reforço na importância da segurança das barragens e reconhecimento das vítimas.

Como Prevenir Tragédias Futuras

A prevenção de futuros desastres requer ações conjuntas de governos, empresas e sociedade civil. É necessário um comprometimento com a segurança e a saúde das comunidades que vivem próximas a áreas de risco. Helena aponta que a educação e a conscientização são fundamentais, além da adoção de tecnologias que possam prever e prevenir tais ocorrências. A transparência nas operações das mineradoras e uma legislação rigorosa devem ser parte central da conversa.

O Evento do Ato da Memória na Paulista

O próximo Ato da Memória está marcado para acontecer na Avenida Paulista e promete ser uma grande mobilização. Com uma programação dedicada, o evento inclui atividades para crianças, concentração de grupos, discursos de líderes como Helena Taliberti, e apresentações artísticas que celebram a cultura e a resistência. Um toque de sirene será realizado às 12h28, momento marcante que simboliza a lembrança dos que perderam a vida.

A programação do ato é a seguinte:

  • 10h–12h: Atividade para crianças com Luciana Cruz
  • 12h: Concentração do Pedal pela Vida
  • 12h28: Toque da sirene
  • 12h30: Discursos, incluindo Helena Taliberti
  • 13h: Início do Pedal pela Vida, percurso pela Avenida Paulista
  • 14h: Show Forró das Minas, com música brasileira
  • 15h30: Encerramento do evento

Local: Avenida Paulista (esquina com Rua Augusta)



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