Centenas de pessoas participaram de uma manifestação contra o genocídio indígena em 1º de novembro, na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Segundo os organizadores, o ato denunciou a violência contra os povos indígenas.
A mobilização ocorreu após denúncias de ameaças e intimidações contra comunidades indígenas divulgadas na semana seguinte ao segundo turno eleitoral. Entre os casos relatados estavam ataques a comunidades em Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Sul.
Organizações indígenas, o Coletivo Cultural Flecha e a Liga Anti-imperialista Internacional (LAI) convocaram o ato, que reuniu indígenas, estudantes, operários e ativistas. Parte dos participantes formou um bloco independente na concentração da Praça Roosevelt.

O relato da manifestação aborda a disputa por espaço de fala na praça e a passeata que percorreu ruas do centro até o Museu de Arte de São Paulo (MASP). A caminhada terminou com palavras de ordem em defesa dos povos indígenas.
Denúncias de ameaças e disputa por espaço de fala na Praça Roosevelt
De acordo com o correspondente que cobriu o ato, a União Nacional dos Estudantes (UNE) manteve a música do palco em volume alto, dificultando as falas de outros grupos. Pedidos de ativistas para reduzir o som não foram atendidos, e integrantes da Liga Anti-imperialista Internacional (LAI) e indígenas recorreram a megafones ou elevaram a voz.
Durante a disputa pelo espaço de fala, indígenas subiram ao palco para reivindicar a possibilidade de se manifestar. Em um vídeo divulgado após o confronto com integrantes da UNE, um jovem indígena afirmou ter recebido ameaças de morte.
A presidente da entidade, Bianca Borges, descreveu a programação como uma ação cultural com roda de samba. Ela também afirmou que a UNE havia negociado com a Polícia Militar a permanência do ato na praça.
Passeata percorre o centro e termina diante do MASP
Ainda na Praça Roosevelt, manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel. A ação foi aplaudida por pessoas presentes, que entoaram palavras de ordem contra o imperialismo e o fascismo e em apoio às Resistências Nacionais Palestina, iraniana e do Iêmen.
Na sequência, a LAI convocou os presentes a seguir em passeata, e centenas acompanharam o bloco. As demais entidades, entre elas a UNE, foram convidadas a marchar, mas permaneceram na praça.
O percurso passou pela Praça da República, retornou à Roosevelt e seguiu pela rua Augusta até a avenida Paulista. Segundo os organizadores, novas pessoas se juntaram ao grupo durante a caminhada, que distribuiu mais de 1,4 mil panfletos e 300 exemplares de AND.
Ao chegar diante do Museu de Arte de São Paulo (MASP), a LAI convocou uma nova manifestação contra o fascismo e o genocídio indígena para 8 de novembro, às 16h. Em editorial publicado em 29 de outubro, o jornal argumentou que a derrota eleitoral da extrema direita não desarticula suas forças nem afasta ameaças de ingerência ianque; também defendeu ampliar o protesto popular com reivindicações de operários, camponeses e outros setores, criticando a conciliação e o imobilismo de direções que, segundo o texto, procuram conter a mobilização.
Serviço
- Evento: manifestação contra o fascismo e o genocídio indígena
- Data: domingo, 8 de novembro
- Horário: 16h
- Local: concentração no MASP


