Centenas de motoboys e entregadores de aplicativos participaram de uma motociata em São Paulo, em 21 de outubro de 2026, em apoio à candidatura de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O ato começou na praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, e seguiu até a praça Roosevelt, passando pela avenida Paulista e pela rua Augusta. Segundo o relato da cobertura da manifestação, o percurso terminou por volta do meio-dia.
A mobilização foi organizada por entidades como o Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos (TSD), a Aliança dos Entregadores de Aplicativo (VAT), o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e a Frente Povo Sem Medo, além de organizações de entregadores do Rio de Janeiro, do Distrito Federal e do Recife. O coordenador do TSD, JR Freitas, participou do ato.

Os trabalhadores combinaram o apoio a Lula com reivindicações da categoria e a defesa da democracia. Freitas afirmou que os entregadores veem no diálogo com o governo um caminho para apresentar demandas sobre as condições de trabalho.
Motociata reuniu entregadores e movimentos populares em São Paulo
Durante o ato, o entregador e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos (TSD), JR Freitas, criticou o que considera ser a proposta de Flávio Bolsonaro para a categoria. Segundo ele, a livre negociação com as empresas de aplicativo já existe, mas não impediu bloqueios, retirada de direitos nem redução de taxas sem diálogo.
Freitas afirmou que os trabalhadores reivindicam uma taxa mínima de R$ 10,50 por quilômetro, transparência nos algoritmos e pontos de apoio. Ele também relacionou as demandas a condições dignas de trabalho e à possibilidade de voltar para casa em segurança e com dinheiro.
O coordenador do TSD disse que a mobilização procurou dar outro significado às motociatas: em vez de associar as motos a veículos de alto custo, apresentou os entregadores que transportam comida e mercadorias. Freitas também apontou a manutenção do comitê permanente de discussão criado pelo governo federal como uma das questões em jogo para que as demandas avancem no Congresso Nacional.
Trabalhadores relatam jornadas, rendimentos e riscos nas ruas
A entregadora Juliana Iemanjara, de 39 anos, participou do ato com a filha, de 11, para mostrar a rotina de trabalho. Ela atende pedidos de farmácias e refeições de segunda a domingo, das 7h30 às 22h, e informou faturar em média R$ 300 a R$ 350 por dia, já descontados os gastos com combustível.
Iemanjara afirmou que passa horas na rua para sustentar a casa e que considera a mobilização uma forma de luta coletiva pela democracia. A filha acompanhou a mãe para conhecer de perto o trabalho realizado para obter essa renda.
Recifense de 20 anos, Vera Lúcia destacou a presença de mulheres negras, periféricas e nordestinas no movimento. Ela trabalha das 11h às 20h nos aplicativos iFood e 99, com rendimento diário de R$ 100 a R$ 120, e concilia a atividade com cursos de capacitação e aulas de dança.
O entregador de bicicleta Thiago Gabriel, de 28 anos, trabalha na função há três anos e disse cumprir jornadas das 10h às 23h para ganhar entre R$ 150 e R$ 160 por dia. Segundo ele, a taxa mínima é de R$ 7 por entrega; o ciclista relatou riscos no trânsito e falta de amparo das empresas, e defendeu uma taxa de pelo menos R$ 10.

